quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Últimos passos

Uma cela fria e escura, com um companheiro ladrão, essa foi minha situação até hoje, nesta manha gélida será executada minha sentença, a morte. Todos os dias que passei dentro dessa prisão, foram se assim posso dizer os melhores dias da minha vida. Vive com vários homens e conversei muito com eles, quantos motivos para matar, motivos que você não conhece a metade, uns mataram por amor, por não conseguir ver sua mulher com outro homem, e ainda ver que o sorriso que ela estampara no rosto não seja sua obra. A maioria desses homens tinham motivos, mas eu não, eu era um homem de meia idade com uma arma na mão e um sonho na cabeça, ver todos a minha volta, mortos. Você pode achar isso egoísmo, mas veja bem, estou libertando as pessoas para um futuro melhor, onde as pessoas se respeitam, onde os valores ainda não foram perdidos, estou levando as pessoas para um lugar onde não existi pessoas como eu, um lugar onde os pais saibam criar seus filhos, para que assim, não se transformem em monstros iguais a mim. Veja só esse mundo precisa de loucos iguais a mim, precisam de ladrões, estupradores, esse mundo aqui é seu verdadeiro inferno e nos somos os demônios. Hoje caminho lentamente para a minha sentença, enquanto caminho por esse corredor escuro e úmido, lembro-me das pessoas que matei... Não me arrependo, todas elas mereciam a morte, eram boas pessoas para o mundo tão horrível igual a esse. Olhei para os lados, todos meus amigos me observavam com medo, não respeito, nesse lugar ninguém se respeita, somente se teme, quando o “carrasco” estava preparando minha poltrona lembrei-me de minha mãe sempre ausente e meu pai alcoólatra, quando sentei, lembrei-me do sangue da primeira mulher que tinha em mãos, quando ele colocou aquela espécie de panela com uma esponja na minha cabeça, lembrei-me da felicidade que sentira por matar as pessoas, quando ele colocou o capuz em minha face lembrei-me que o mundo poderia ser um lugar bom se muitos não pensassem iguais a mim, quando ele ligou aquelas eletricidade, senti um grande alivio agora o demônio estava morto, e minha alma livre.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

What the fuck is wrong with my mind?

Joguei-me de costas na cama, soltando junto um profundo suspiro. Fechei os olhos, sentindo toda a escuridão do quarto tocar minhas pálpebras. A janela semiaberta deixava uma luz de fim de tarde entrar no recinto, e era por meio dessa luz que eu conseguia enxergar minhas mãos suadas. Sentei-me. Agarrei um maço de cigarros do bolso do casaco que estava usando, e um isqueiro do bolso oposto. Encaixei-o entre lábios e acendi. Era como se todas minhas preocupações e receios fossem embora naquela primeira tragada, e voltassem com a fumaça que eu soltava pelas narinas. Deitei novamente no acolchoado. Era tudo confuso, eu queria realmente sumir daquele lugar. Queria ir embora, quem sabe recomeçar uma nova vida, ou qualquer coisa assim. Queria dizer adeus a meus amigos e amantes, queria dar tchau pros meus pais e “poff” sumir. Tantos pensamentos corriam por minha mente, tantas coisas inacabadas, a única coisa que se passava por minha cabeça, no entanto era “Por que diabos estou aqui?” Já era pra meu tempo na terra ter expirado fazia tempo. Eu era uma existência vazia e enojada que vagava as vielas escuras e frias a procura de um motivo pra viver. Toda vez que virava aquela garrafa suja de uísque, era pra ver se me encontrava no outro canto do vasilhame.
Aliás, esqueça sobre amigos e amantes. Amigos eu tive poucos, amantes, nenhum. Quem sabe apenas uma namoradinha no colegial, mas nada que passasse de uma paixãozinha platônica. E os amigos que me restaram, o inferno para eles. Amigos não deixam que você se afunde dessa forma. Ou pelo menos, estariam se afundando comigo.
E meus pais... Nem sequer sabem onde estou. Fugi de tudo quando era novo, e não queria mais me encontrar. Era difícil, difícil perceber que o que lhe resta é o fundo de um poço úmido e escuro. Era mais difícil ainda perceber que é tudo culpa sua. Que é sua culpa estar desse jeito. E que nada, nada vai mudar.
Levantei-me da cama e me virei para a janela, abrindo-a mais um pouco e sentindo o ar gélido beijar meu rosto. Respirei fundo, sentindo minhas vias respiratórias tilintarem de frio. Podia parecer estúpido, mas eu estava num estado de depressão tão grande que eu conseguia sentir vida apenas nessa puxada de ar fresco. Eu poderia sentir vida vindo dos cantos imundos do quarto, onde as baratas repousam. E talvez fosse disso que eu precisava. Vida. Infelizmente, não é algo que você compre em pacotinhos ou vidrinhos para a viagem. Vida era algo difícil de se encontrar, árduo para conquistar e mais difícil ainda para se manter. Alguns se encontravam na religião, outros em um grande amor. E eu, encontrava vida no ar que regava meus pulmões maculados com fumaça.
Por fim, acabei deitando-me de novo na cama. A tarde acabara, o sol se punha e a noite viera. O quarto estava silencioso e escuro.  Fechei os olhos novamente e dei a última tragada em meu cigarro. Atirei-o no chão, murmurando um silencioso “Foda-se isso.” Mesmo que ninguém fosse ouvir.
No outro dia, eu arrumaria minhas coisas e procuraria mais. Mais desse ar, mais de algo que me guiasse a  continuar vivo.

É incrível a quantidade de coisas que surgem enquanto você acende um cigarro.

Faça por onde

Faça por onde, não me recordo a primeira vez que ouvi essa palavra, talvez tenha sido de algum moralista hipócrita, mas todos nós somos hipócritas, criticamos as pessoas sem nos mexer, jovens dizem “Vamos revolucionar o mundo, iremos, somos o futuro da nação”, mas esses mesmos jovens não sabem se limpar sozinhos, veja só, estou sendo hipócrita por isso, por criticar os outros, todos nos temos defeitos, principalmente esse humilde narrador, ó meus irmãozinhos, e você deve estar pensando, que sou um hipócrita por falar dessa maneira, mas você é o mesmo que eu, um saco de carne cheio de defeitos, então nunca olhe alguém por cima, a não se se for para lhe ajudar a levantar. Faça por onde. Então vá lá jovem, faça por onde, tente arrumar sua casa antes de sair falando mal dos outros, e depois que fazer isso talvez passe um tempo fazendo o que gosta, oras veja só, minha casa esta desarrumada. ORGANICO

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Promessas

Hoje depois que sai dos meus afazeres, passei por uma igreja, dentro da cuja encontrei duas velinhas. Acho que as igrejas são cheias de velhos por medo, ele pensam, “Estou morrendo mesmo, nada melhor que me arrepender de tudo de errado que fiz”. Bem eu entrei na tal igreja e comecei a caminhar lentamente até ao altar, enquanto caminhava lembrei-me de toda minha formação religiosa, outrora quando meus pais me obrigavam a ir para aquelas aulas de cristianismo e até mês passado quando eu lera sobre o budismo tibetano. Quando cheguei ao altar olhei para o centro e lá estava  um homem de barba com os braços abertos, sangrando e agonizando no final de sua vida, acho que chamavam ele de messias,algo assim. Virei-me e olhei novamente aquelas velhas ajoelhadas e concentradas, “Estão mortas” pensei comigo. Fui até lá  e ajoelhei no meio delas, e comecei a falar com um velho de roupa branca sentado em um trono de madeira.
- Você é Deus? Aqueles que todos veem pedir favores?
Ele não me respondeu, quando vi tinha falado isso em voz alta, e uma das velhas começou a falar comigo:
- O que há meu jovem?
Eu disse:
- Isso que te pergunto minha senhora? Por que precisas de tanto apoio? Não consegue enfrentar a vida sozinha?
Logo me respondeu:
-Já consegui, mas como pode ver na minha pele os anos se passaram e eu fui apodrecendo, hoje preciso apoio, preciso de uma fé, uma luz no final do túnel, alguém que bata nas minhas costas e diga, vá lá você consegue. Como queria ser jovem e curioso como você menino, mas não sou, eu vivo os anos que deus ainda me da e rezo todos os dias para que o amanha chegue.
- Você tem razão... Essa humanidade precisa de um “freio”, algo que faça elas saberem que a limite, o que seria certo e o que é errado.
-Meu jovem você pode não crer em meu pai, mas eu sei que você será alguém muito bom nessa vida, e para isso não precisa crer em mim ou no meu pai. Deus te deu o direito do livre arbítrio e você o usa com sabedoria.
Depois disso não aquela velha não ouviu mais nenhuma clamor de minha boca. Depois de um tempo me levantei e abri os olhos, quando olhei nada estava do meu lado, nenhuma das duas velhas. Fui novamente eu até o altar e disse para um coroinha que arrumava as coisas para a missa das 3 horas:
-Meu jovem você viu as duas senhoras que estavam do meu lado?
Ele me respondeu um tanto quanto apressado:
-Não tinha ninguém ao seu lado, senhor.
E meus amigos, esse foi o dia que eu falei seu messias chamado jesus. ORGANICO 

Are you afraid of death?

“Ann, sabe no que andei reparando?” John disse, enquanto acendia um novo cigarro. “O quê?” A garota respondeu, assoprando fumaça contra o vento. ”Desde pequenos, nós esperamos algo de nossas vidas.” A outra parecia não entender o que ele queria dizer. “Como assim?” Ela perguntou, estendendo uma das mãos para que ele passasse a garrafa de uísque. “Nós esperamos que vamos crescer. Certo? Vamos estudar, ter amigos, ir em festas. Beber muito, conhecer pessoas incríveis com quem vamos querer algo a mais. Vamos ter esses algo a mais com elas, vamos entrar em uma faculdade, vamos seguir um curso que gostamos, vamos ficar ricos. Vamos cansar dos algo a mais e vamos querer algo pra sempre. Casar, ter filhos, construir uma família. Depois, envelhecer ao lado de quem você ama, e por último, morrer. Não é isso que esperamos?” Ele passou a garrafa para ela, dando uma tragada em seu cigarro e agora olhando para o céu. Tantos pensamentos corriam por sua mente, e a garota parecia não acompanhar tão bem. “Bem... Sim, eu acho. Todo mundo quer ter uma vida assim.” Ela arqueou as sobrancelhas. Ele não dizia isso bêbado, já que o lacre da garrafa fora recém-arrancado. “Mas nós não esperamos os imprevistos. Diga-me, Ann, se um carro de um motorista bêbado passasse por essa rua agora e matasse nós dois, todos nossos planos iriam água abaixo. Não? Entende como morrer é fácil? Algum dia vai ser nosso último dia de vida, e nós não vamos saber quando. Vamos estar ali, vivos, e num piscar de olhos, vamos ter deixado tudo para trás, e estaremos caminhando em direção de um desconhecido maior. Talvez iremos para o céu, ou para o inferno. Talvez iremos para o fundo da terra, para que os vermes nos devorem. Ann, diga-me, você tem medo da morte?” A garota a esse ponto apenas fitava-o e não dizia mais nada. Ela assentiu, dando outro breve gole na bebida. “Entende como isso é inútil? Esse medo não vai impedir que aquele carro venha aqui e nos atropele. Aliás, nada vai impedir. Nossa única certeza é a morte. Não é meio assustador pensarmos em tudo isso? Ann, o que você fez até agora? Eu tenho apenas 18 anos, acabei de terminar a escola. Ainda não passei em vestibular algum, não vivi um grande amor, não fui rico, sequer feliz. O que aconteceria se eu morresse agora? Seria uma vida incompleta. Somos tão jovens, Ann. Nós não temos noção disso.” Ela estava levemente boquiaberta. “John, está tudo bem com você?” Ela devolveu a garrafa a ele, que logo virou ela no gargalo. Fez uma pausa, pigarreando para limpar a garganta. “Não, mas vai ficar. No dia que eu ter certeza que todo o tempo de minha vida realmente valeu a pena. Talvez esse dia nunca chegue, talvez eu morra antes de presencia-lo. Mas como eu disse, somos tão jovens, não é?” Ela encarou ele por alguns instantes, mas depois acabou assentindo.

Longa

Novamente estava eu ali, andando pela chuva e não correndo como as outras pessoas. Acho estranho como me comporto perante a uma tempestade, porque se você for parar para pensar não a mínima necessidade de correr, você vai acabar se molhando de uma maneira ou de outra, mas devo confessar que gosto de ver as pessoas correndo como ratinhos assustados... Muitas dessas pessoas não gostam de chuvas, mas eu gosto, gosto de tudo aquilo que enche o saco e vai embora, gosto daquele cheiro de terra ou asfalto molhado e gosto de videar aquelas gosta caindo lentamente de folha em folha até assim atingir a terra. Encontrei ali no meio daquela chuva preguiçosa um velho amigo de infância, eu não reconheci ele, muito menos ele me reconheceu, mas sei que era um amigo de longa data,quando vi em seu rosto um sorriso enquanto caminhava naquele preguiçosa chuva.  ORGANICO