terça-feira, 3 de dezembro de 2013

What the fuck is wrong with my mind?

Joguei-me de costas na cama, soltando junto um profundo suspiro. Fechei os olhos, sentindo toda a escuridão do quarto tocar minhas pálpebras. A janela semiaberta deixava uma luz de fim de tarde entrar no recinto, e era por meio dessa luz que eu conseguia enxergar minhas mãos suadas. Sentei-me. Agarrei um maço de cigarros do bolso do casaco que estava usando, e um isqueiro do bolso oposto. Encaixei-o entre lábios e acendi. Era como se todas minhas preocupações e receios fossem embora naquela primeira tragada, e voltassem com a fumaça que eu soltava pelas narinas. Deitei novamente no acolchoado. Era tudo confuso, eu queria realmente sumir daquele lugar. Queria ir embora, quem sabe recomeçar uma nova vida, ou qualquer coisa assim. Queria dizer adeus a meus amigos e amantes, queria dar tchau pros meus pais e “poff” sumir. Tantos pensamentos corriam por minha mente, tantas coisas inacabadas, a única coisa que se passava por minha cabeça, no entanto era “Por que diabos estou aqui?” Já era pra meu tempo na terra ter expirado fazia tempo. Eu era uma existência vazia e enojada que vagava as vielas escuras e frias a procura de um motivo pra viver. Toda vez que virava aquela garrafa suja de uísque, era pra ver se me encontrava no outro canto do vasilhame.
Aliás, esqueça sobre amigos e amantes. Amigos eu tive poucos, amantes, nenhum. Quem sabe apenas uma namoradinha no colegial, mas nada que passasse de uma paixãozinha platônica. E os amigos que me restaram, o inferno para eles. Amigos não deixam que você se afunde dessa forma. Ou pelo menos, estariam se afundando comigo.
E meus pais... Nem sequer sabem onde estou. Fugi de tudo quando era novo, e não queria mais me encontrar. Era difícil, difícil perceber que o que lhe resta é o fundo de um poço úmido e escuro. Era mais difícil ainda perceber que é tudo culpa sua. Que é sua culpa estar desse jeito. E que nada, nada vai mudar.
Levantei-me da cama e me virei para a janela, abrindo-a mais um pouco e sentindo o ar gélido beijar meu rosto. Respirei fundo, sentindo minhas vias respiratórias tilintarem de frio. Podia parecer estúpido, mas eu estava num estado de depressão tão grande que eu conseguia sentir vida apenas nessa puxada de ar fresco. Eu poderia sentir vida vindo dos cantos imundos do quarto, onde as baratas repousam. E talvez fosse disso que eu precisava. Vida. Infelizmente, não é algo que você compre em pacotinhos ou vidrinhos para a viagem. Vida era algo difícil de se encontrar, árduo para conquistar e mais difícil ainda para se manter. Alguns se encontravam na religião, outros em um grande amor. E eu, encontrava vida no ar que regava meus pulmões maculados com fumaça.
Por fim, acabei deitando-me de novo na cama. A tarde acabara, o sol se punha e a noite viera. O quarto estava silencioso e escuro.  Fechei os olhos novamente e dei a última tragada em meu cigarro. Atirei-o no chão, murmurando um silencioso “Foda-se isso.” Mesmo que ninguém fosse ouvir.
No outro dia, eu arrumaria minhas coisas e procuraria mais. Mais desse ar, mais de algo que me guiasse a  continuar vivo.

É incrível a quantidade de coisas que surgem enquanto você acende um cigarro.

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