segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Are you afraid of death?

“Ann, sabe no que andei reparando?” John disse, enquanto acendia um novo cigarro. “O quê?” A garota respondeu, assoprando fumaça contra o vento. ”Desde pequenos, nós esperamos algo de nossas vidas.” A outra parecia não entender o que ele queria dizer. “Como assim?” Ela perguntou, estendendo uma das mãos para que ele passasse a garrafa de uísque. “Nós esperamos que vamos crescer. Certo? Vamos estudar, ter amigos, ir em festas. Beber muito, conhecer pessoas incríveis com quem vamos querer algo a mais. Vamos ter esses algo a mais com elas, vamos entrar em uma faculdade, vamos seguir um curso que gostamos, vamos ficar ricos. Vamos cansar dos algo a mais e vamos querer algo pra sempre. Casar, ter filhos, construir uma família. Depois, envelhecer ao lado de quem você ama, e por último, morrer. Não é isso que esperamos?” Ele passou a garrafa para ela, dando uma tragada em seu cigarro e agora olhando para o céu. Tantos pensamentos corriam por sua mente, e a garota parecia não acompanhar tão bem. “Bem... Sim, eu acho. Todo mundo quer ter uma vida assim.” Ela arqueou as sobrancelhas. Ele não dizia isso bêbado, já que o lacre da garrafa fora recém-arrancado. “Mas nós não esperamos os imprevistos. Diga-me, Ann, se um carro de um motorista bêbado passasse por essa rua agora e matasse nós dois, todos nossos planos iriam água abaixo. Não? Entende como morrer é fácil? Algum dia vai ser nosso último dia de vida, e nós não vamos saber quando. Vamos estar ali, vivos, e num piscar de olhos, vamos ter deixado tudo para trás, e estaremos caminhando em direção de um desconhecido maior. Talvez iremos para o céu, ou para o inferno. Talvez iremos para o fundo da terra, para que os vermes nos devorem. Ann, diga-me, você tem medo da morte?” A garota a esse ponto apenas fitava-o e não dizia mais nada. Ela assentiu, dando outro breve gole na bebida. “Entende como isso é inútil? Esse medo não vai impedir que aquele carro venha aqui e nos atropele. Aliás, nada vai impedir. Nossa única certeza é a morte. Não é meio assustador pensarmos em tudo isso? Ann, o que você fez até agora? Eu tenho apenas 18 anos, acabei de terminar a escola. Ainda não passei em vestibular algum, não vivi um grande amor, não fui rico, sequer feliz. O que aconteceria se eu morresse agora? Seria uma vida incompleta. Somos tão jovens, Ann. Nós não temos noção disso.” Ela estava levemente boquiaberta. “John, está tudo bem com você?” Ela devolveu a garrafa a ele, que logo virou ela no gargalo. Fez uma pausa, pigarreando para limpar a garganta. “Não, mas vai ficar. No dia que eu ter certeza que todo o tempo de minha vida realmente valeu a pena. Talvez esse dia nunca chegue, talvez eu morra antes de presencia-lo. Mas como eu disse, somos tão jovens, não é?” Ela encarou ele por alguns instantes, mas depois acabou assentindo.

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